A partir de informação recebida pelo Disque Denúncia, nesta manhã de terça-feira, policias da 13ª DP, de Ipanema, apreenderam 42 máquinas de caça níqueis na Travessa Cristiano Laporte, em Copacabana, na esquina com a rua Miguel Lemos. Essa notícia confirma a vulnerabilidade do crime, sobretudo do crime organizado, à participação social e à parceria entre a polícia e a população.
O telefone do Disque Denúncia é 2253-1177.
# posted by Gláucio Ary Dillon Soares @ 5:54 PM
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Uma pesquisa baseada na Universidade de Toronto, no Canadá, confirmou os resultados de uma série de pesquisas que relacionam a obesidade à depressão. Porém, parte importante da relação passa pela pressão para ser esbelto(a) e malhado(a) e pelo sentimento de não gostar do seu corpo. A pesquisa foi feita com mais de mil e cem meninos de 13 a 16 e de um número ligeiramente maior de meninas da mesma faixa de idade.... Esses resultados indicam que a relação é, em parte, agravada pela pressão social para ter um corpo definido como bonito.
Marcadores: a pressão social para ter um corpo definido como bonito, jovens obesos e deprimidos, o sentimento de não gostar do seu corpo, obesidade e depressão
# posted by Gláucio Ary Dillon Soares @ 4:52 PM
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Recebi do Zeca
Borges: PM manda dois para
a cadeia
Hora H Online
Agentes
do Serviço Reservado (P-2) do 14º BPM (Bangu) prenderam em
flagrante Diego Romário Grativos de Souza, de 19 anos, no final da
manhã de ontem na Favela Minha Deusa, em Realengo, Zona Oeste.
Segundo foi apurado, os militares foram averiguar uma informação
do Disque-Denúncia e avistaram
Diego na Rua Nogueira de Sá, com uma pistola Taurus,
calibre 9mm, 59 sacolés de cocaína e R$ 44,00 em espécie.
Também
após informe do Disque-Denúncia, policiais do 14º
BPM (Bangu) prenderam, três homens não identificados. Com o trio
havia um revólver calibre 38 SPL, um revólver calibre 32
SPL, um radio-transmissor e pequena quantidade de
entorpecentes.
Resolvi incluir essa notícia para ilustrar o potencial do Disque Denúncia e para a essencialidade da participação social no combate ao crime.
# posted by Gláucio Ary Dillon Soares @ 6:19 PM
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Há duas semanas, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo tornou públicos os dados sobre a criminalidade no último trimestre. É um ato corriqueiro em paises com transparência e tem sido um comportamento contínuo no Estado de São Paulo há muitos anos. Mas, para vergonha nossa, ainda há estados no país que não divulgam os dados, há os que os maquilam e adulteram, ou os publicam com muito atraso.
Os dados divulgados talvez não causassem reação não fosse São Paulo o único estado brasileiro a exibir bons resultados há muito tempo: os homicídios vêm baixando há 29 trimestres e São Paulo é, hoje,uma referência internacional no controle da violência, juntamente com Nova Iorque, Bogotá, Medellín e alguns outros lugares. Ocupa, no Brasil, uma posição invejável. Há debates e discordância sobre o as causas dessa redução, mas não a respeito da sua existência.
O estado foi administrado pelo PSDB desde Mario Covas o que introduz uma dimensão político-partidária. Evidentemente, políticos e simpatizantes afiliados a outros partidos se sentem incômodos com o contraste entre o êxito paulista e o fracasso em tantos estados com governadores de seus partidos.
Os resultados recém divulgados não foram tão bons quanto os anteriores. Os criminólogos olham para isso com tranqüilidade; porém alguns políticos, inclusive jornalistas comprometidos politicamente,sem familiaridade com os dados criminais, expressaram sua alegria.
O que houve? Os homicídios cresceram 0,7% no Estado, porém na capital e na Grande São Paulo caíram 6%, uma queda considerável. Mesmo computando o pequeno aumento, a taxa paulista é, de longe, a mais baixa do país. Se os dados seguintes indicarem a mesma tendência à estagnação, muda a forma do fenômeno, que já é conhecida. Chegaram a um plateau.
O que é isso? Algo que acontece com quase todas as políticas públicas bem sucedidas: chegaram ao limite, até onde poderiam chegar. Aconteceu com muitas legislações e com as políticas públicas que se originaram nelas. A “antiga” Lei do Trânsito reduziu as mortes durante quase duas décadas, mas passou a provocar reduções cada vez menores. Alguns chamam isso de efeito-chão (não dá para baixar mais) que, visto positivamente, é um efeito-teto. Os efeitos desse tipo não indicam que chegamos ao limite do possível; indicam que chegamos ao limite dessas políticas.
A “nova” Lei do Trânsito provocou uma redução substancial de mais de quatro mil mortes (vidas salvas) só no seu primeiro ano. Infelizmente, a implementação das mesmas medidas ficou cada vez mais desleixadas e as mortes no trânsito voltaram a aumentar.
Quando há um grande crescimento ou uma grande redução, a composição dos homicídios se altera. Vítimas e assassinos não são os mesmos quando as taxas são altas e quando são baixas. Os homicídios não são todos iguais; há tipos muito diferentes: difere a vítima, difere o autor, difere a relação entre eles, difere a arma, difere o local da ocorrência e muito mais. No Brasil das últimas décadas, o crescimento dos homicídios tem uma vinculação íntima com o tráfico de drogas e de armas e com o crime organizado (sem colocar o grau de “organização” dos traficantes num nível empresarial). Quando há explosões de homicídios, as taxas de crescimento das mortes masculinas é substancialmente mais alta do que a das femininas. Quando houve redução rápida, ela foi maior entre os homens. As políticas públicas aconselhadas para paises com altas taxas de homicídio são claramente diferentes das aconselhadas para países com baixas taxas.
Quando o êxito das políticas anteriores tem rendimentos decrescentes significa que há necessidade de novas políticas, assim como de aperfeiçoamento das anteriores. Reduzidos os homicídios relacionados com o tráfico, cresce a significação relative dos homicídios entre íntimos. Porém, a
prevenção de homicídios entre íntimos difere muito da prevenção de homicídios associados ao tráfico etc.
Crimes diferentes não têm a mesma fidedignidade, nem o mesmo peso, daí a dificuldade em construir índices de criminalidade – nos mais simples, que simplesmente somam os crimes, o furto de um celular pesa tanto quanto um homicídio, um absurdo. As pesquisas de vitimização mostram que a sub-enumeração de alguns crimes é de tal magnitude que desfigura os dados. Um “crescimento” pode não significar um crescimento do crime, mas da confiança nas instituições. Há perigosos viéses seletivos: escolher os que mais cresceram para desacreditar a política
ou os que mais caíram para mostrar seus méritos. Um dos artigos publicados mostra um crescimento de 36% nos latrocínios, sem informar que os latrocínios representam uma percentagem pequena do total de mortes violentas intencionais. Naquele trimestre houve 94 latrocínios, 1001 homicídios culposos no trânsito, e 1207 vitimas de homicídios intencionais. A redução nos homicídios culposos no trânsito foi maior que a totalidade dos latrocínios no trimestre...
Outro dado importante tem a ver com a distribuição geográfica dos crimes com estatísticas confiáveis. Há muita variação entre as taxas dos municípios e das regiões paulistas, sugerindo fenômenos mais
localizados que requerem atenção concentrada: algo diferente está acontecendo nessas áreas.
Precisamos melhorar a qualidade dos dados e reduzir a sub-enumeração dos crimes. Enquanto isso não acontece, temos que trabalhar com os mais confiáveis: os que deixam cadáveres, assim como furtos e roubos de veículos, dada a obrigatoriedade do registro para obter o seguro. E o leitor deve se informar para poder ler criticamente o que publica.
Gláucio Ary Dillon Soares
Publicado no Correio Braziliense
Marcadores: crime, crimes violentos, criminologia brasileira, efeito dissuasório, Estatuto do Desarmamento, homicídio e armas de fogo, homicídios em são paulo
# posted by Gláucio Ary Dillon Soares @ 2:22 PM
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Há uma escala de estresse na vida que inclui muitas mudanças, inclusive as consideradas boas, como casar com alguém que se ama e nos ama. Mas a tendência é clara: quanto mais mudança na nossa vida, tanto mais estresse e, secundariamente, os problemas associados com o estresse.
Embora, na maioria dos países estudados, a taxa de suicídios tenda a subir com a idade, sobretudo com as idades avançadas, em vários ela sobe na adolescência e na maturidade jovem. Entre esses, em alguns ela desce depois, na maturidade, em outros não. O que explicaria esse crescimento, nos lugares em que ele acontece? Talvez comecemos a responder essa difícil pergunta, cuja resposta necessariamenete inclui muitos fatores, comparando quem não se suicida com quem se suicida (ou tentam seriamente). Uma pesquisa desse tipo acaba de ser feita na Dinamarca.
O que descobriram? Que quanto mais a família se mudava de um lugar para outro, maior o risco de suicídio. Adolescentes entre 11 e 17 anos que mudaram dez ou mais vezes tinham um risco de tentar o suicídio quatro vez mais alto do que os que se mudaram que não se mudaram; os que se mudaram menos, entre de três a cinco vezes ficavam no meio: o dobro dos que nunca se mudaram e a metade dos que se mudaram dez vezes ou mais. Por conveniência de pesquisa, somente os que se mudaram de uma residência para outra na mesma rua não foram computados como mudanças.
O pesquisador principal, Dr. Ping Qin, do Centre for
Register-Based Research na Aarhus University, está consciente de que a relação não é causal nem direta. As mudanças que trazem outras mudanças, como de escolas e grupos de amigos, são mais drástica. Eu hipotetizo que mudar entre lugares conhecidos é menos estressante do que para lugares desconhecidos.
Há muitas endogenias possíveis. As famílias que se movem mais podem ser menos estáveis como famílias, também podem enfrentar mais problemas financeiros, variáveis que afetam diretamente os adolescentes.
Esse estudo confirma outros que revelam que as crianças e adolescentes que mudam muito de residência têm mais alto risco de doenças mentais. Há outras variáveis que também são afetadas: o rendimento na escola, o risco de abandono da escola, assim como a sexualidade prematura.
Fonte: The Archives of General Psychiatry.
Marcadores: adolescentes, alcoolismo, auto-imagem e suicídio, criminalidade juvenil, Delinqüência Juvenil, depressão e suicídio, Depressão situacional, doença mental e suicídio, família e crime
# posted by Gláucio Ary Dillon Soares @ 7:38 AM
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http://www.ssp.sp.gov.br/home/noticia.aspx?cod_noticia=16136
Dossiês do Disque Denúncia de Campinas ajudam a polícia a elucidar crimes
Quarta-Feira, 3 de Junho de 2009
Iniciativa pioneira na polícia paulista, os dossiês elaborados na sede do Disque Denúncia de Campinas têm ajudado os investigadores a desvendar crimes que poderiam permanecer impunes por falta não só de provas, mas até mesmo de indícios que levem a pistas mais consistentes para descobrir a autoria. Desde 2002 até abril de 2009, o Disque Denúncia recebeu 126.278 ligações, que geraram 72.901 orientações ao público e 53.377 denúncias. Do total de denúncias – a maioria sobre tráfico de drogas, a polícia solucionou 5.350 casos, já que várias denúncias se referiam ao mesmo caso ou eram infundadas ou inconsistentes.
Em geral, a investigação clássica de polícia judiciária numa delegacia ou distrito policial começa quando uma dupla de investigadores, os tradicionais "parceiros", recebe da "chefia" a cópia do boletim de ocorrência de um crime de autoria desconhecida. Eles pegam uma viatura e saem, em diligências, tendo apenas as informações contidas no boletim para iniciar a investigação. O histórico dos boletins de ocorrência – um resumo do fato –, quase sempre não fornece pistas que levem ao paradeiro dos criminosos. E os "parceiros", que contam com poucos recursos, devem driblar as dificuldades e resolver o quebra-cabeça.
Mas em Campinas, desde 2002, os policiais civis de distritos e unidades especializadas contam com um valioso aliado: os dossiês redigidos no Disque Denúncia por uma equipe composta por duas escrivãs e duas investigadoras,que são coordenadas pelo delegado Marcelo Favero, além de funcionários da Organização Não Governamental (ONG) "Movimento Vida Melhor". Esses documentos sigilosos recebem uma capa e ficam ‘trancafiados’ na sala que o delegado tem no Disque Denúncia. Não estão disponíveis nem na intranet da Polícia Civil. Se alguma autoridade requisitá-los, vai receber uma cópia em mãos.
Equipe afinada
A equipe de policiais civis foi "escolhida a dedo e está comigo desde o início, quando surgiu o Disque Denúncia de Campinas, em 2002", comenta Favero, que também é delegado titular do 1º Distrito Policial de Campinas, e já atuou em vários outros distritos da cidade e na Delegacia de Investigações Gerais (DIG). O Disque Denúncia conta, ainda, com mais seis policiais militares e dez funcionários da ONG Movimento Vida Melhor, que têm seus próprios coordenadores.
Os dossiês são um relatório completo e detalhado da ocorrência de crimes que se repetem numa mesma área, envolvendo os mesmo autores e seu "modus operandi" ou a forma como os criminosos agem. Reúnem um pouco do relatório policial com informações técnicas e precisas. Um dossiê ou relatório começa a ser gerado, quase sempre, quando chegam quatro ou mais denúncias com as mesmas características. Todas a denúncias ficam armazenadas num banco de dados com programa específico. As policiais civis e funcionários da ong tiram desse banco de dados as informações para redigir o dossiê. Mas é o delegado Favero que dá a orientação geral.
O documento contém nome e/ou apelido do suspeito, natureza do fato (furto, roubo, tráfico, moeda falsa, pedofilia, etc.), horários, organogramas, se está em andamento e as providências tomadas. Em média, cada dossiê tem 20 páginas, mas pode chegar de oito a 150. A capa do dossiê recebe uma cor que identifica a natureza do crime, um número seqüencial, título e circunscrição policial (distrito e batalhão da PM). O armário do delegado Favero no Disque Denúncia já acumula mais de 400 dossiês.
Hierarquia do crime no organograma
No conteúdo, o que é considerado o "mais importante" pelo coordenador é o organograma, pois, no caso de tráfico e crime organizado, mostra a "hierarquia" dos criminosos. Mas eles trazem também mapas da área dos fatos, histórico detalhado do ocorrido, veículos e tipos de armas que estariam sendo usados pelos suspeitos. Crimes de natureza grave, como pedofilia, tráfico, moeda falsa, roubo e outros estão todos registrados em dossiês. Esses documentos confidenciais estão disponíveis também para consultas da Polícia Militar para dar mais eficiência ao policiamento preventivo.
Apesar de ser uma ferramenta valiosa na luta contra o crime, os dossiês ainda são poucos consultados pelos distritos policiais de Campinas. Mesmo assim, são enviados para as unidades policiais. "Quem mais solicita é o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)", fala Marcelo Fávero, seguido pela Delegacia Especializada Anti-Sequestro (Deas), Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise), e Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Por orientação do delegado Fávero, os dossiês ajudam muito nas investigações do 1º DP, que fica no Jardim Ipaussurama e atende uma população de 240 mil pessoas.
Premiação
O Disque Denúncia de Campinas atende 24 horas pelo telefone (0xx19) 3236-3040 e foi criado em 2002 por iniciativa da Associação Comercial e Industrial de Campinas. Desde 2002 até abril de 2009, o Disque Denúncia recebeu 126.278 ligações, que geraram 72.901 orientações ao público e 53.377 denúncias – muitas delas sobre o mesmo crime ou infundadas. Do total de denúncias – a maioria sobre tráfico de drogas, a polícia solucionou 5.350 casos.
A idéia inovadora de fazer os dossiês a partir das denúncias anônimas e encaminhá-los às unidades policiais para facilitar as investigações rendeu uma premiação para a Delegacia Seccional de Polícia de Campinas, que foi inscrita no IV Prêmio Polícia Cidadã com o projeto "Elaboração de dossiês - base para investigações policiais". O projeto foi um dos nove vencedores na categoria "Ações Vencedoras", com cerimônia de entrega realizada no último dia 5 de abril, na Sala São Paulo, na região central da Capital.
Transcrito de Gabriel Rosado
Marcadores: combate ao crime, disque-denúncia funciona, equipe de análise, polícia técnica, progresso policial
# posted by Gláucio Ary Dillon Soares @ 5:10 AM
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Ter excesso de peso aumenta o risco de suicídio entre adolescentes americanos. Pior: pensar que é gordo ou, principalmente, gorda, também aumenta. Essa pesquisa examinou 14 mil adolescentes e relacionou um indicador clássico de gordura, o BMI (Body Mass Index) e as tentativas de suicídio. Relacionou, também, a crença em ser gordo ou gorda e as tentativas de suicídio. Monica
Swahn, Ph.D., pesquisadora, confirmou que além da gordura, a crença na gordura aumentam o risco de suicídio. O maior risco era entre os que conjugavam os dois fatores: eram obesos e se preocupavam com isso. A associaçao vale para os dois sexos, quebrando a expectativa de que valeria apenas para as meninas.
Nao há dúvida de que o excesso de peso é um problema para a saúde e que, nos Estados Unidos, é um problema para a saúde pública - assim como em certas áreas e classes no Brasil. Nao obstante, transformar uma recomendaçao médica em um padrao comportamental obrigatório gera outras doenças, como bulímia, anorexia e até suicídios.
Fonte: Journal of Adolescent Health.
Marcadores: a preocupação com ser gordo aumenta o suicídio, anorexia e suicídio, auto-imagem e suicídio, bulímia e suicídio, excesso de peso e suicídio, gordura e suicídio, Tentativas de suicídio
# posted by Gláucio Ary Dillon Soares @ 4:16 AM
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As pessoas com alguns tipos de doenças mentais cometem mais crimes do que as que não padecem dessas mesmas doenças. Essa é uma relação provada e demonstrada em Criminologia através de pesquisas feitas em diferentes países. Não obstante, pesquisa recente dirigida por Brent Teasdale, professor na Georgia State University, produziu novas informações: as doenças mentais aumentam mais o risco do paciente de se tornar vítima de um crime do que de cometer um crime.
Teasdale foge dos rótulos mais ambiciosos das doenças mentais e se concentra em comportamentos e sintomas mais específicos. Pacientes que sofrem de alucinações, por exemplo, são vítimas preferenciais de crimes, o mesmo passando com pacientes com delírios. O risco de vitimização é multiplicado quando o paciente está drogado ou alcoolizado, ou não possui residência. Contudo, morar ou não na rua é uma variável associada com a vitimização de direito próprio. Os moradores de rua são vitimas de crimes com muito mais freqüência do que os que tem um “ponto”, um lugar onde dormir. Essa é uma relação que se explica por várias teorias, inclusive a dos encontros, a de atividades de rotina e a de oportunidades. Os moradores de rua passam mais tempo expostos a agentes do crime do que os demais, que ou têm residência fixa ou dispõem de um ou mais “pontos” onde passar a noite e/ou parte do dia. Os momentos em que um morador de rua passa num ponto protegido reduzem o risco de crime. Essa redução é de particular importância à noite, como previsto pela Teoria dos Encontros. Essa teoria propõe que nas sociedades modernas o risco de um encontro com um criminoso é mais alto à noite. Para evitar esses encontros, é mais importante ter onde ficar à noite do que ter onde ficar durante o dia.
Teasdale quantificou o risco. Os doentes mentais que experimentam delírios têm o dobro do risco de vitimização do que os que não os experimentam. A população tem receio dos doentes mentais, particularmente se esses apresentarem sintomas como delírios e alucinações. De fato, as doenças mentais aumentam a probabilidade de cometer um crime, violento ou não. E, entre os doentes mentais, os que apresentam delírios e alucinações cometem mais crimes do que os que não apresentam esses sintomas. Essas relações são verdadeiras, mas provocaram um medo generalizado e um estigma.
O estigma pode aumentar a violência preventiva contra doentes mentais. Creio que, na maior parte dos casos, as pessoas tomam medidas e ações evasivas e algumas cometem violências verbais, mas algumas cometem violências físicas que, hipotetizo, não seriam cometidas se as vítimas fossem pessoas “normais”.
Os doentes mentais, nos momentos da doença, podem estar confusos e voltados para dentro, distorcendo suas percepções do ambiente que os circunda. Percebem pouco e avaliam pior. Nas explosões de delírios e alucinações as pessoas encarregadas, inclusive voluntariamente, de cuidar dos pacientes podem fugir dos pacientes e da sua responsabilidade, deixando-os à mercê dos encontros negativos. Não é fácil lidar com delírios e alucinações.
Os resultados sugerem algumas medidas preventivas. Parentes e amigos de pacientes mentais, em geral, devem ser alertados a respeito da maior vulnerabilidade deles, em particular dos que apresentam delírios e alucinações. Nos paises em que predomina a “lei de Gerson” e o limiar da responsabilidade é baixo, esse abandono talvez seja mais freqüente e os riscos para o paciente muito mais elevados.
As conclusões de Teasdale foram baseadas numa pesquisa chamada de MacArthur Violence Risk Assessment Study, que acompanhou durante um ano pacientes que tiveram alta de hospitais psiquiátricos.
Marcadores: doença mental e homicídio, doença mental e suicídio, Doenças mentais e filhicídio, doenças mentais e vitimização, homicídios e doenças mentais, violência e doenças mentais
# posted by Gláucio Ary Dillon Soares @ 9:01 AM
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