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Segunda-feira, Fevereiro 13, 2012

 

EXPLOSÃO DE VIOLÊNCIA NA VENEZUELA

O Observatório Venezuelano da Violência informa que o número de homicídios no país atingiu novo recorde. Na média, 53 pessoas são mortas por dia. No total, quase vinte mil mortos no ano, computando, claro, apenas os que chegaramao conhecimento das autoridades. A taxa venezuelana, de 67 por 100 mil habitantes, é a mais alta da América Latina. É mais do dobro da taxa colombiana, país marcado pelas guerras da narcoguerrilha, e mais de quatro vezes a mexicana, país também marcada pela violência do narcotráfico. O que deixa os pesquisadores desorientados é que a Venezuela não é um país que produza a pasta, que a refina, nem é um dos grandes exportadores. O governo
não reconhece a gravidade da situação. No ano passado,o Ministro do Interior, Tarek El Aissami informou o congresso que a taxa era de 48 por cem mil. Já seria alta, mas é bem mais do que ele informou. Por mais simpático que um observador possa ser em relação às reformas sociais de Chávez,a associação estatística com o seu governo é sugestiva. Em 1999, quando Chávez chegou ao poder, houve 4.550 homicídios no país.Hoje são mais de quatro vezes esse total. As explicações passam por quatro tipos de dados com diferentes graus de confiabilidade:

  • em primeiro lugar, é alto o número de armas de fogo;
  • em segundo, a impunidade é alta porque uma percentagem ínfimados crimes chega à condenação;
  • em terceiro lugar, a polícia não evoluiu tecnicamente e os militares, que não foram treinados para combater o crime, são atores relevantes no débil e incompetente combate ao crime;
  • finalmente, o personalismo chavista significa ausência de padrões eficientes de governo.
É um claro contraste com o que aconteceu na Colômbia e com o que vem acontecendo no Estado de São Paulo (e em muitos municípios paulistas) e, em grau menor e mais recentemente, no Estado do Rio de Janeiro


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Sábado, Fevereiro 11, 2012

 

Não há sudestinos!



Reunir governadores, políticos, polícias e pesquisadores do Sudeste pode ser o primeiro passo para a formação de uma identidade regional. O crime não é mais um fenômeno estritamente estadual: se regionaliza e se nacionaliza. Além dos seus objetivos imediatos na luta contra o crime e a violência, também pode ser um passo estratégico na política brasileira a fim de defender os interesses da região. Na trama complexa da política regional, o Sudeste e o Centro-Oeste lutam contra uma ausência de identidade regional. Não há sudestinos... É cada estado por si e ninguém por todos. E contribui para a debilidade de cada estado. Vejam o comportamento de tantos politicos de outros estados em relação ao Pré-Sal.
Mas há nordestinos, nortistas e sulistas e essas identidades contam - e muito - seja na retórica política que, dentro e fora do Congresso, influi na distribuição dos recursos públicos, inclusive por recursos destinados a combater o crime, seja na atividade política que assegura que esses fundos realmente sejam usados e não contingenciados.
Políticos e a sociedade construíram uma fortíssima identidade nordestina, uma forte identidade nortista e uma identidade sulista. A construção dessas regiões como blocos que constituem o edifício político foi importante na luta por recursos. A identidade criou uma ideologia da exploração entre regiões. A relevância dessa identidade e dessa ideologia transparece nos discursos no Senado Federal: através de pesquisa no SICON (Sistema de Informações do Congresso Nacional) localizei 3.780 discursos nos quais se mencionava a Região Nordeste, outros 1.469 nos quais se mencionava a Região Norte, seguida por 964 discursos nos quais a Região Sul era mencionada, seguida pela Centro-Oeste, com 637. Na retaguarda, absolutamente distanciada dos demais, a Região Sudeste, com 270 menções. Para cada menção ao Sudeste, há 14 ao Nordeste. Se levarmos a popoulação em conta, e computarmos as taxas per capita, as desigualdades são gigantescas.
Essas identidades regionais e coletivas não são, apenas, figuras de retórica. Elas são instrumentos de mobilização política dentro e fora do Congresso, na luta por recursos públicos. Inicialmente, era uma estratégia necessária: um representante de Alagoas ou de Sergipe teria mais chance de obter recursos para seu estado se alinhavasse seu discurso e seu pedido em nome do Nordeste. Porém, fazer reinvidicações estaduais em nome do Nordeste era mais do que simples retórica: era e é estratégia política. Durante mais de um século, foi sendo alinhavada uma estratégia de barganha regional. Hoje, ela é fortissima. Durante parte desse período, o Rio de Janeiro, antiga capital, São Paulo, nova e crescente potência econômica e Minas Gerais, estado integrante obrigatório de qualquer política nacional, seguiam caminhos individualizados, com frequência independentes, às vezes antagônicos. As rivalidades entre cariocas, mineiros e paulistas são divertidas no campo de futebol, mas na política têm um efeito negativo. Historicamente, a localização estrutural variou pouco em São Paulo e Minas, mas o Estado do Rio de Janeiro, que vivia parcialmente na sombra do Distrito Federal, depois Estado da Guanabara, foi esvaziado com a transferência da capital, e o Espírito Santo tinha e tem pouca expressão demográfica e política.
Porém, a despeito do crescimento demográfico (em boa parte absorvendo o excedente de outras regiões) e econômico, a participação do Sudeste no Legislativo, particularmente no Senado Federal, decresceu através do tempo. Porém, esse enfraquecimento não promoveu uma união regional, não houve a criação e o crescimento da identidade regional “sudestina”: a região continua vivendo o isolacionismo e a pseudo-auto-suficiência, para enfrentar essas perdas. Os estados do Sudeste viviam e vivem a ilusão do passado. Cada estado do Sudeste defendia seus interesses e nenhum defendia os interesses da região.
Essa fraqueza teve e tem um preço. A legislação federal relega a região Sudeste à irrelevância enquanto região. Apenas 1% da legislação menciona a região, em contraste com 60% de referências à região nordeste. Ao ficar fora da retórica política e do imaginário nacional, o Sudeste como região ficou fora da legislação. Não há como legislar sobre uma região que não existe, nem como beneficiá-la.
Por que essa união é necessária? Porque os recursos são escassos. Porque o setor público brasileiro está falido, financeira e moralmente. Legisla em benefício próprio. A imensa burocracia federal deixa para a disputa as migalhas, o que sobra. Nessa disputa, os estados, individualmente, têm pouca força, mesmo os estados fortes. O “estado” brasileiro tem impostos suécos e benefícios africanos. Consome o que extrai da população.
O discurso da exploração das regiões pobres pelas ricas, tão “a gusto” dos ricos das regiões pobres, tem algumas facetas que me incomodam. Primeiro, faltam dados que demonstrem que essa exploração existe; segundo, exime a elite política do Nordeste e do Norte de qualquer responsabilidade, histórica e atual, pelos problemas da região e seus estados. Exemplificando: a miséria do Maranhão se deve mais à exploração por São Paulo ou a décadas de corrupção e inépcias da sua elite? Se a ambos, em que proporção? Terceiro, as pessoas (da elite e do povo também) têm ou não alguma responsabilidade pelas decisões que tomam ou deixam de tomar, independentemente da região em que vivem? Quarto, os recursos desviados no Sudeste e do Sul vão beneficiar os necessitados das regiões mais pobres, ou a burocracia dessas regiões, ou a burocracia federal, ou a elite e a classe média dessas regiões - e em que proporções? Quid bono? Finalmente, os pobres das regiões ricas, abandonados nesse debate, merecem algum apoio?
Há uma hipocrisia que deve ser desmascarada. Alguns dos atores politicos que brandem a bandeira da exploração do Nordeste e do Norte pelo Sul e pelo Sudeste são riquíssimos e insensíveis à miséria do próprio povo. É insultante ouvir esse discurso de vítima por parte de políticos latifundiários, que possuem nababescas casas de praia, cujos familares constantemente viajam ao exterior e são todos insensíveis à miséria que os cerca. Esse discurso se choca com a mais valia que extraem dos peões que trabalham para eles.
Os "sudestinos" devem se unir para obter recursos federais, que estão minguando, para combater a pobreza, o crime e a violência, para reduzir a desigualdade, e os brasileiros devem se unir para garantir que os recursos federais, estaduais e municipais cheguem às mãos dos mais necessitados e não desapareçam pelos ralos do estado.

GLÁUCIO SOARES                             IESP/UERJ

Domingo, Fevereiro 05, 2012

 

O alcoolismo materno e suas consequências a longo prazo

Quando pensamos em álcool e crime, pensamos numa relação simples e direta, em que tanto o que comete o crime, quanto a vítima, poderiam estar alcoolizados no momento do crime. Porém, o avanço do conhecimento, através de pesquisas empíricas, revela uma realidade mais complexa. Há outras vítimas. Os fetos e bebês de mães alcoólatras são vítimas do alcoolismo. É um processo que, agora, conhecemos, mas essa relação não é considerada criminosa. Irresponsável, sim, mas criminosa, não. Isso pode mudar, como mudou o dirigir alcoolizado que pode resultar num homicídio culposo.

Há uma doença chamada FAS (Fetal Alcohol Syndrome), a Síndrome Alcoólico-Fetal. Essa é uma das causas principais do retardo mental em crianças. Essas crianças são as vítimas de primeiro nível do alcoolismo materno.[1] Mas ficar pior. Anos mais tarde, muitas dessas crianças, como adolescentes e adultos, cometerão crimes. Uma pesquisa mostra que, nos Estados Unidos, uma percentagem alta dos presos sofre de FAS ou de uma forma menos grave dessa doença, chamada de FAE (Fetal Alcoholic Effects).[2] As duas prejudicam seriamente o feto, o bebê, que se torna adolescente e adulto. É para sempre.

Nos crimes cometidos por aqueles que também são vítimas do alcoolismo materno, agregamos mais um nível de danos que tiveram origem nas bebidas alcoólicas.

Estamos começando a conhecer os caminhos através dos quais o dano se instala nos bebês e nas crianças. Chrysanthy Ikonomidou et al. informam que o cérebro de filhotes de camundongos com um só episódio de exposição a uma intoxicação alcoólica durante as primeiras duas semanas de vida (mais ou menos o equivalente do desenvolvimento cerebral de um feto humano durante o estágio final da gravidez) sofrem efeitos permanentes em dois neurotransmissores, chamados glutamata e GABA. Há mortes em massa de células cerebrais. Essa mesma equipe estudou o efeito de drogas (PCP, ketamina e óxido nítrico) sobre as células cerebrais, também causavam mortes em massa de células cerebrais, porém afetando outros receptores, chamados de NMDA.

Foi argumentado pelos defensores das drogas que as células que morrem iriam morrer de qualquer maneira e que as drogas simplesmente anteciparam um pouco a sua morte. Ikonomidou afirma que não morrem apenas células já “condenadas”, mas também células sadias que “se suicidam” aos milhões.[3] Esses resultados confirmam os de outra pesquisa, com Chrysanthy Ikonomidou et al., que fala do bloqueio dos receptores NMDA como um indutor da apoptose massiva de células cerebrais.[4]

GLÁUCIO SOARES                   IESP/UERJ



[1] Ver, também, Crime Times, Vol. 6, No. 2, 2000, pág. 7

[3] “Ethanol-induced apoptotic neuro­degeneration and fetal alcohol syndrome,” Chrysanthy Ikonomidou, Petra Bittigau, Masahiko J. Ishimaru, David F. Wozniak, Christian Koch, Kerstin Genz, Madelon T. Price, Vanya Stefovska, Friederike Hörster, Tanya Tenkova, K Krikor Dikranian, e John W. Olney, “Ethanol-induced apoptotic neuro­degeneration and fetal alcohol syndrome,”em Science, Vol. 287, February 11, 2000, págs. 1056-1060.

[4] Ver “Blockage of NMDA receptors and apoptotic neurodegeneration in the developing brain,” Chrysanthy Ikonomidou et al., Science, Vol. 283,No. 53 398, January 1, 1999, pp. 70-74.

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EXPLOSÃO DE VIOLÊNCIA EM SALVADOR

 

A Bahia é candidata ao indesejável título de estado mais violento do Brasil e a região metropolitana de Salvador também está se transformando numa das mais violentas do Brasil. Não é uma questão do partido que governa: a maioria dos estados do Nordeste tem governos que, independentemente do partido (ex.: PT na Bahia; PSDB em Alagoas; PSB na Paraíba etc.), não estão preparados para enfrentar os novos problemas. Predominam governos tradicionais e políticos, correligionários, amigos e parentes lotam as secretarías de segurança e as delegacias.

A polícia, comparativamente com as mais treinadas do país, é pouco ágil, pouco técnica e muito violenta. Não obstante, ruim com ela, pior sem ela.

Há uma greve da PM iniciada em 31 passado. Nesse curtíssimo prazo, de cinco dias, houve 78 homicídios na RM de Salvador. Nesse rítmo, chegariam ao triste recorde de 5.694 homicídios em 365 dias.

É interessante notar que os homicídios foram muito mais altos na sexta do que na quinta e na quarta. Acontece com ou sem polícia: relativamente ao total dos dias da semana, os dias do fim da semana são violentos e, em cada dia, o horário da morte começa às 18hs. Durante o dia, a vasta maioria da população está protegida das balas, do álcool e das drogas nos seus escritórios e residências. Fora desse período, as condições são propícias à violência.

As implicações políticas seriam graves, sem ajuda de ninguém, mas o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), decidiu jogar lenha na fogueira, afirmando que os policiais militares em greve cometeram o excedente de crimes que estão acontecendo em Salvador, aduzindo que os policiais em greve promove um "banho de sangue" para amedrontar a população, para que pressione para atender às reivindicações salariais da categoria.

É irônico ver um governador do PT em claro conflito com os representantes de uma categoria profissional. Porém, nos últimos dez anos, as diferenças ideológicas entre os partidos que, na prática de governar, já não eram grandes, ficaram mínimas. Os partidos contam ainda menos...

Repetindo, há outra lição, mais importante: ruim com a polícia, pior sem ela.

 

GLÁUCIO SOARES                 IESP/UERJ

 

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Domingo, Janeiro 29, 2012

 

A Escócia dá exemplo de austeridade no gasto do dinheiro público


A Escócia observa atentamente uma novela com um fundo ético. O “chairman” do Banco da Escócia, Sir Philip Hampton, desistiu de um bonus de um milhão e quatrocentos mil euros em nome da decência. Como receber tanto num momento histórico em que acionistas e investidores perderam tanto. O executivo mais alto do mesmo banco se chama Stephen Hester e está numa sinuca de bico. Ele deveria receber um bonus de quase um milhão de euros.
Um dos líderes do Partido Liberal Democrático, Simon Hughes, afirmou que Hampton deu um bom exemplo porque em dias de austeridade ninguém que dependa direta ou indiretamente de recursos públicos pode aceitar receber aumentos de salário ou bonus, gratificações que o povo, que paga os impostos, considera obscenos.
Seria bom se a moda pegasse aqui – no Executivo, no Legislativo, no Judiciário.

Gláucio Soares                         IESP/UERJ


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Sábado, Janeiro 14, 2012

 

Mais uma violência contra os cegos

O Instituto Benjamin Constant foi criado pelo Decreto Imperial n.º 1.428, de 12 de setembro de 1854 e inaugurado formalmente poucos dias depois. Não é um depósito de cegos, nem “o lugar dos cegos”, mas uma instituição que, ao longo de mais de um século e meio, se dedicou à pesquisa sobre os cegos e à educação dos cegos. Eu, que tenho o privilégio de ver, sempre o via como um símbolo.
Aprendi com os cegos em plena campanha do Paz no Trânsito. Nossa campanha, um êxito que reduziu as mortes no trânsito à metade em quatro anos, ignorou as necessidades especiais dos cegos até que os próprios cegos tomaram a iniciativa de procurar-nos. Aprendemos com eles e, baseados nas informações fornecidas por eles, criamos os primeiros sinais de trânsito sonoros, ao longo das rotas mais seguidas pelos nossos irmãos cegos.
Pesquisando, aprendemos mais. Desconstruímos o conceito de que os cegos eram vítimas de um acaso malvado. Não eram. No Distrito Federal, dois terços dos três mil cegos cadastrados eram vítimas de homens e instituições malvadas e violentas. Muitos eram cegos graças a tiros e acidentes de trânsito. A cegueira é parte integral da violência.
Agora, acometidos de outro tipo de cegueira, membros do governo querem fechar o símbolo da integração dos cegos ao país. Entendam que é possível criar outra instituição mais moderna e funcional em outro lugar, mas serão paredes mudas, sem voz nem história.
Uma cultura cívica violenta causa a maior parte das cegueiras no nosso país e uma cultura política cega quer tirar dessas vítimas o seu  símbolo de cidadania, a sua história.

Gláucio Soares                    IESP/UERJ    



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Sexta-feira, Janeiro 13, 2012

 

Vexame na Segurança Pública da Paraíba

O Secretário de Segurança Pública da Paraíba prestou declarações públicas acusando o Fórum Brasileiro de Segurança Pública de mentir, como parte de uma campanha “para tentar desacreditar o Nordeste ao colocar os estados da região como mais violentos que outras regiões do país.” É interessante como a carta política e ideológica é usada como resposta padrão a qualquer trabalho científico que possa ser interpretado como crítica a um local, cidade, raça, município, gênero, estado, região etc. O secretário tirou do bolso a acusação inteiramente gratuita de que o Fórum pretende desacreditar o Nordeste.
Em verdade, só podemos perguntar como é que o senhor Claudio Lima chegou ao posto de Secretário de Segurança Pública do Estado da Paraíba? Aí, sim, surge uma resposta nada abonadora para o governador do Estado, para seu partido, para o estado e a região. O autor dessa infeliz declaração aduziu uma segunda, igualmente triste, que pretende publicar nos próximos meses um balancete com os dados oficiais da própria Segurança da Paraíba. Ou seja, revelou que os dados não estão prontos, que não são de fluxo e atualização contínua, que não tem a informação. Que vergonha, Sr. Governador!
Como bem afirma o pesquisador José Maria Nóbrega Jr., o imbróglio reflete o estado de desinformação do órgão perante o problema da violência. Justificadamente, recomenda: “Sr. Secretário, vá estudar!!
Pobre Paraíba…

GLÁUCIO SOARES                      IESP/UERJ


Domingo, Janeiro 08, 2012

 

Um câncer aumenta o risco de outro?

Essa é uma preocupação comum entre cancerosos. Eu perdi uns três anos da minha vida, durante os quais não funcionei, com um Transtorno Compulsivo Obsessivo em relação a outros cânceres. Uma rápida terapia cognitivo-comportamental e um aumento na religiosidade reduziram essas preocupações a uma fração, pequena, do que fora. Isso tudo aconteceu enquanto tinha (e tenho) um câncer incurável crescendo.

Recentemente, li uma carta de uma ex-cancerosa, mulher de 38  anos, que teve um câncer na tiróide que está em remissão há onze anos. Como mãe se preocupa, como mulher se preocupa ainda mais, pois acha que aos 38 aumenta muito a sua vulnerabilidade a outros cânceres, particularmente ao da mama. Essa mulher quer saber quanto o ter tido aumenta o risco de ter outros cânceres – em comparação com mulheres iguais a ela, mas que não tiveram câncer. Por isso escreveu a um especialista que responde a quem escreve.

A resposta do médico informa e tranqüiliza: dentro de dez anos de ter um câncer na tireóide, há um pequeno risco adicional de ter alguns outros cânceres. Quais? Mama, rins, linfoma de Hodgkin’s, leucemia, glândulas salivares, cabeça e pescoço, pulmão, esôfago e bexiga.

Como bem diz o médico, antes de que a leitora entrasse em pânico, leia cuidadosamente os dados: pesquisadores da Universidade de Utah estudaram mais de trinta mil pacientes diagnosticados entre 1973 e 2002, para avaliar esses riscos que trazem tanto medo a tantas pessoas. Os resultados mostram que o aumento no risco é muito pequeno: em cada dez mil pessoas, apenas entre seis e sete cânceres a mais foram diagnosticados entre as que tiveram câncer da tireóide. Seis a sete em dez mil! Tratando câncer que amedrontava a senhora que escreveu a carta, o da mama, no grupo entre 25 e 49 anos, encontraram apenas quatro cânceres a mais do que entre as pessoas que não tiveram câncer da tireóide. Outra descoberta: o risco adicional diminui com o tempo e, depois de dez anos é quase zero, e o risco é igual ao das pessoas que nunca tiveram câncer na tireóide.

 

Esse comentário não foi baseado em um artigo acadêmico e cientifico, mas na seção medicah de um jornal.

Saiba mais:

http://www.thenewstribune.com/2011/12/18/1949932/tie-between-vitamin-d-depression.html#ixzz1gy5rMUOj

 

GLAUCIO SOARES  IESP/UERJ

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Os blogs em 2011

Há muitas diferenças entre os blogs.

Os mais exitosos foram sobre o câncer da próstasta: juntos. cerca de 700 000 acessos; há vários que não decolararam, dois que foram "invadidos" pelos anúncios pornográficos e tive que bloquear. Os dois sobre suicídios são quase constates. Juntos. perto de cem mil. Espero que tenham ajudado muita gente e salvo algumas vídas. É informativo, com ênfase na prevenção. Doi quando leio cartas solicitando instruções sobre como suicidar-se. Os dois blogs criados sobre os derrames, resposta ao sinal de alerta que me foi enviado pelo Padre Airton Freire, servo, tinham um público não trabalhado e cerca de 64 mil páginas visitadas; os dois blogs sobre Conjuntura Criminal começaram bem, mas decaíram, em grande parte porque diminuí o noticiário elaborado que, por sua vez, foi uma decisão baseada no crescimento de bons blogs na área. Estou repensando-os, possivelmente como blogs dirigidos mais para uma elite intelectual e profissional. Menos leitores, mas leitores influentes. Alguns não vingaram e já os terminei; outros andam em nível mais baixo. Tenho que optar. Os blogs não são opinativos, mas implicam em uma varredura das publicações qualificadas sobre um tema, escrever o blog com gráficos que tenho que criar e introduzir (que requerem muito trabalho) isso tudo numa linguagem accessível. 

Em síntese, é muito trabalho. E as dificuldades são grandes. Algumas publicações são pagas e as da área médica são caras; vivo envenenando meu computador de alguns anos, mas é claro que preciso de um mini-servidor. Os mini-servidores não são a entidade cara e assustadora que muitos pensam. Ando namorando um suéco, planejado para rodar em Linux, chamado de Excito B3 que, com wi-fi vende por 365 euros. Outro problemas é como trazê-lo...

Em exatamente um mês terei minha consulta semestral no Sloan Kettering. Aos 77 tenho que viajar na classe executiva, onde viaja o pessoal que tem grana... Ou o tratamento continua como está com seus moderados efeitos colaterais, ou muda para outro, antihormonal, com efeitos bem piores, o que iniciaria tratamentos de menor eficácia (menor extensão da sobrevivência) e efeitos coletarais muito piores.

e sou pai de cinco, avô de cinco, marido de uma (é verdade), pesquiso, oriento, pesquiso, trabalho, pewsquiso, dou aulas, pesquiso, escrevo artigos científicos, pesquiso... e ainda não resolvi um só problema filosófico relevante. Mas o quase milhão e meio de leitores e o sonho de estar ajudando milhares ou centenas de milhares, nem que seja um pouco, faz com que tudo valha a pena. 

Um abraço a todos e, parodiando o padre Aírton Freire, Feliz 2012, 2013, 2020, 2040, 2100... Se festejaram o Natal, meditem, ainda que retroativamente, sobre o aniversariante.

 

Os dados seguem abaixo. São totais cumulativos, a partir do momento em que comecei a blogá-los.

GLÁUCIO SOARES                              IESP/UERJ

 

 

 

 

 TodayYesterdayThis MonthTotal 
2203356,372Delete
000985Delete
0000Delete
23549144,099Delete
26401640350,670Delete
36192311345,930Delete
26400637319,771Delete
6487820,850Delete
5456243,533Delete
00023Delete
0173674,641Delete
76611590,466Delete
04184,260Delete
 1101,2281,9791,4

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Terça-feira, Dezembro 27, 2011

 

Após cinco meses de alta, os homicídios entram em queda em São Paulo

Escrito por MARIANA DESIDÉRIO E  RAPHAEL SASSAKI

O número de homicídios no Estado de São Paulo caiu em novembro deste ano, em comparação com novembro de 2010. No ano passado foram 376 casos, contra 354 neste ano --uma queda de 5,9%. A redução acontece após cinco meses de alta.

[GS: A significação dessa redução decorre da mudança de guarda na Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo, ela própria resultado de um conflito interno do Governo Alckmin. As equipes anteriores apresentaram  resultados consistentes de queda desde 1999, mais acelerados desde 2001. Os cinco meses de alta colocaram em duvida a competência técnica da nova equipe]

Na comparação entre os períodos de janeiro a novembro, a queda no número de homicídios foi de 4% --foram 3.945 em 2010 e 3.789 em 2011. A redução dos homicídios é liderada pela capital paulista, que registrou 180 casos a menos de janeiro a novembro, na comparação com o mesmo período do ano passado. Uma diminuição de 16,3%.

Os dados oficiais da violência do Estado foram divulgados nesta segunda-feira pela SSP (Secretaria da Segurança Pública).

Já o número de latrocínios (roubos seguidos de morte) no Estado subiu 15,6% nos primeiros 11 meses de 2011, em comparação com o mesmo período do ano passado --de janeiro a novembro de 2010 foram 231 casos e, em 2011, 267. O número já é maior do que todo o acumulado de 2010, que teve um total de 253 latrocínios.

[GS: na maioria dos países com baixa taxa de homicídios, os latrocínios são uma sub-categoria dos homicídios e não uma categoria separada. Os números não justificam a separação nem a preocupação desproporcional da população com esse tipo de crime. Para cada latrocínio há mais de 14 homicídios]

A secretaria não divulgou os números de latrocínios de novembro de 2010 e por isso não é possível comparar os dados por mês.

O latrocínio não foi o único crime com alta em 2011. Furtos, roubos, furtos de veículos e roubos de veículos também subiram na comparação com 2010.

Roubo de veículos foi o crime que mais aumentou --subiu 19,5% na comparação de novembro de 2010 para novembro de 2011. Em 2010, novembro teve 5.973 casos. Em 2011 foram 7.139. No acumulado dos 11 primeiros meses do ano, o aumento foi de 14,6% --passou de 63.138 para 72.383.

Os furtos de veículos tiveram leve aumento na comparação entre novembro de 2010 com novembro de 2011 --0,4%: com um aumento de 34 casos. No acumulado do ano, a alta foi de 4,4%, com 4.137 casos a mais.

[GS: esses são dois indicadores estatisticamente aceitos da criminalidade devido ao seguro obrigatório. São aceitos, mas são imperfeitos porque nas áreas mais pobres há muitos veículos não assegurados]

Os roubos em geral (exceto os de veículos) tiveram aumento de 1,2% em novembro e de 1,3% no acumulado do ano.

Já os furtos em geral (exceto os de veículos) tiveram aumento significativo. Na comparação de novembro de 2010 com novembro de 2011 o número de casos subiu 8%. No acumulado dos primeiros 11 meses de cada ano o aumento foi de 7,5%.

Para o delegado-geral da Polícia Civil, Marcos Carneiro Lima, a queda crescente no número de homicídios se deve às mudanças na legislação. "É um processo que teve diversos atores neste período, mas uma coisa fundamental é que a arma de fogo foi criminalizada, isso possibilitou que em um período de 11 anos quase 400 mil armas fossem tiradas de circulação. A arma é o vetor do crime", disse.

[GS: os criminólogos que pesquisam concordam com essa declaração, sublinhando que permite apreender muitas armas ilegais e prender criminosos. Há pessoas na extrema direita, sem formação em Criminologia, que afirmam o contrario, na base do chute]

Já o comandante-geral da Polícia Militar, tenente-coronel Álvaro Camilo, disse que o principal fator foi a modernização da PM. "A policia começou a trabalhar com melhor gestão e mais investimento governamental. Na década de 90 faltavam coletes, pistolas e armamentos próprios, faltava combustível para as viaturas. Esse investimento resultou numa melhora do trabalho de inteligência da polícia", disse Camilo.

 

[GS: Precisamos de informações mais detalhadas como essas a respeito de todas as unidades da federação e de todos os grandes conjuntos urbanos]

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